📖 TFLOD

Teste de Fluência Leitora Oral Digital

Manual Técnico e Fundamentação Teórica

1. O que é o TFLOD

O TFLOD é um instrumento digital de rastreio da fluência leitora oral. O avaliando lê um texto em voz alta por 1 minuto e o sistema calcula quantas palavras corretas por minuto (PCPM) ele produziu, medida clássica de fluência usada em rastreios de leitura.

A gravação é transcrita por inteligência artificial (OpenAI Whisper) de forma literal, sem correção automática. Isso preserva trocas fonológicas (p/b, t/d, f/v), inversões e omissões, permitindo análise qualitativa de indícios de dislexia.

Rastreio, não diagnóstico: o TFLOD indica se a fluência leitora está dentro ou abaixo do esperado para a faixa/escolaridade. Não substitui avaliação clínica completa nem fecha diagnóstico.

2. Como aplicar

  1. No painel, escolha Nova Aplicação e preencha os dados do paciente (nome, nascimento, escolaridade, sexo).
  2. Gere o link do paciente (para envio) ou use Aplicar Localmente.
  3. O paciente confere o microfone (o botão só libera após a voz ser detectada) e lê as instruções.
  4. Ao iniciar, o texto aparece e a gravação corre por 1 minuto. Uma barra de volume ao vivo mostra a voz sendo captada.
  5. Ao fim, o áudio é transcrito e o resultado calculado automaticamente.
⚠ Boa captação é essencial: peça ao paciente para ler em bom volume, próximo ao microfone e em ambiente silencioso. A barra de volume ao vivo ajuda a perceber, durante a leitura, se a voz está entrando.

3. O que o teste mede

MétricaO que representa
PCPMPalavras corretas por minuto — indicador principal de fluência
AcertosPalavras do texto reconhecidas na leitura (alinhamento por LCS)
ErrosOmissões, substituições e trocas fonológicas identificadas
Palavras alcançadasAté que ponto do texto o paciente chegou no tempo

O alinhamento entre o que foi lido e o texto-alvo usa o algoritmo LCS (maior subsequência comum), que encontra as palavras corretas mesmo com inserções, omissões ou repetições no meio da leitura.

4. Classificação do desempenho

A classificação compara o PCPM obtido com faixas de referência. Para crianças, as faixas variam por ano escolar (medianas baseadas em Hasbrouck & Tindal e em dados nacionais do PROLEC/Capellini). Para adultos, usa-se uma faixa de leitura fluente esperada.

Leitura da faixa: um PCPM abaixo do esperado para a escolaridade sugere fluência fragilizada e indica aprofundamento da avaliação; não é conclusão diagnóstica isolada.

5. Como o sistema lida com leitura muito difícil

Um cuidado importante do TFLOD: leitor com muita dificuldade não é falha técnica. Uma pessoa que lê devagar, baixinho, com pausas e trocas ("etava" por "estava") produz um PCPM baixo que é um resultado clínico legítimo, e o sistema o registra como tal.

O teste só trata como falha técnica (pedindo para refazer) quando o áudio realmente não traz leitura reconhecível: transcrição vazia, som sem fala articulada, ou padrão de repetição anômala (que costuma indicar áudio sem fala real). Assim, evita-se tanto descartar um leitor real quanto aceitar ruído como leitura.

⚠ Instrumento sem validação normativa brasileira formal: o TFLOD é um rastreio. As faixas são referências da literatura, não normas amostrais nacionais deste instrumento. Use como triagem, sempre integrado ao julgamento clínico.

6. Fundamentação Teórica (Referências ABNT)

CAPELLINI, S. A.; SMYTHE, I. Protocolo de avaliação de habilidades cognitivo-linguísticas: livro do profissional e do professor. Marilia: Fundepe, 2008.

HASBROUCK, J.; TINDAL, G. An update to compiled ORF norms (Technical Report No. 1702). Behavioral Research and Teaching, University of Oregon, 2017.

SALLES, J. F.; PICCOLO, L. R.; MINA, C. S. (Org.). Avaliação neuropsicológica da leitura e escrita. São Paulo: Vetor, 2017.

ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. 5. ed., texto revisado. Porto Alegre: Artmed, 2022.