1. O que é o TFLOD
O TFLOD é um instrumento digital de rastreio da fluência leitora oral. O avaliando lê um texto em voz alta por 1 minuto e o sistema calcula quantas palavras corretas por minuto (PCPM) ele produziu, medida clássica de fluência usada em rastreios de leitura.
A gravação é transcrita por inteligência artificial (OpenAI Whisper) de forma literal, sem correção automática. Isso preserva trocas fonológicas (p/b, t/d, f/v), inversões e omissões, permitindo análise qualitativa de indícios de dislexia.
2. Como aplicar
- No painel, escolha Nova Aplicação e preencha os dados do paciente (nome, nascimento, escolaridade, sexo).
- Gere o link do paciente (para envio) ou use Aplicar Localmente.
- O paciente confere o microfone (o botão só libera após a voz ser detectada) e lê as instruções.
- Ao iniciar, o texto aparece e a gravação corre por 1 minuto. Uma barra de volume ao vivo mostra a voz sendo captada.
- Ao fim, o áudio é transcrito e o resultado calculado automaticamente.
3. O que o teste mede
| Métrica | O que representa |
|---|---|
| PCPM | Palavras corretas por minuto — indicador principal de fluência |
| Acertos | Palavras do texto reconhecidas na leitura (alinhamento por LCS) |
| Erros | Omissões, substituições e trocas fonológicas identificadas |
| Palavras alcançadas | Até que ponto do texto o paciente chegou no tempo |
O alinhamento entre o que foi lido e o texto-alvo usa o algoritmo LCS (maior subsequência comum), que encontra as palavras corretas mesmo com inserções, omissões ou repetições no meio da leitura.
4. Classificação do desempenho
A classificação compara o PCPM obtido com faixas de referência. Para crianças, as faixas variam por ano escolar (medianas baseadas em Hasbrouck & Tindal e em dados nacionais do PROLEC/Capellini). Para adultos, usa-se uma faixa de leitura fluente esperada.
5. Como o sistema lida com leitura muito difícil
Um cuidado importante do TFLOD: leitor com muita dificuldade não é falha técnica. Uma pessoa que lê devagar, baixinho, com pausas e trocas ("etava" por "estava") produz um PCPM baixo que é um resultado clínico legítimo, e o sistema o registra como tal.
O teste só trata como falha técnica (pedindo para refazer) quando o áudio realmente não traz leitura reconhecível: transcrição vazia, som sem fala articulada, ou padrão de repetição anômala (que costuma indicar áudio sem fala real). Assim, evita-se tanto descartar um leitor real quanto aceitar ruído como leitura.
6. Fundamentação Teórica (Referências ABNT)
CAPELLINI, S. A.; SMYTHE, I. Protocolo de avaliação de habilidades cognitivo-linguísticas: livro do profissional e do professor. Marilia: Fundepe, 2008.
HASBROUCK, J.; TINDAL, G. An update to compiled ORF norms (Technical Report No. 1702). Behavioral Research and Teaching, University of Oregon, 2017.
SALLES, J. F.; PICCOLO, L. R.; MINA, C. S. (Org.). Avaliação neuropsicológica da leitura e escrita. São Paulo: Vetor, 2017.
ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. 5. ed., texto revisado. Porto Alegre: Artmed, 2022.