1. O que é o TAAV
O TAAV é um instrumento digital de rastreio da aprendizagem e da memória visual. Ele adapta para a modalidade visual o paradigma clássico do RAVLT (Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey), no qual uma mesma lista é apresentada várias vezes para observar como a pessoa aprende ao longo das repetições.
Em vez de palavras, o TAAV usa 15 figuras de objetos comuns, apresentadas em 5 tentativas consecutivas. Isso permite traçar a curva de aprendizagem e avaliar retenção, interferência e reconhecimento — componentes centrais da memória episódica visual.
2. Como é aplicado (fases)
- Tentativas 1 a 5 (T1–T5): as mesmas 15 figuras-alvo são estudadas (~30s) e reconhecidas, cinco vezes seguidas — gera a curva de aprendizagem.
- Lista de interferência (B): uma nova lista de figuras é apresentada e reconhecida uma vez.
- Evocação imediata: logo após a interferência, o avaliando identifica as figuras da primeira lista (a que viu 5 vezes).
- Evocação tardia (~20 min): após um intervalo, reconhece novamente as figuras-alvo — mede a memória de longo prazo.
- Reconhecimento final: etapa de reconhecimento das figuras-alvo entre distratores.
População: a configuração ajusta-se ao perfil do avaliando. O teste inclui um intervalo real de retenção para a evocação tardia.
3. O que as métricas significam
| Métrica | O que representa |
|---|---|
| Curva de aprendizagem (T1→T5) | Evolução dos acertos ao longo das 5 tentativas |
| Ganho de aprendizagem (T5−T1) | Quanto a pessoa melhorou com a repetição |
| Interferência proativa (B−T1) | Efeito da lista antiga sobre o aprendizado da nova |
| Interferência retroativa (A6−T5) | Efeito da lista nova sobre a memória da antiga |
| Evocação tardia / retenção | Quanto se manteve após ~20 min (consolidação) |
| Reconhecimento | Capacidade de identificar alvos entre distratores |
4. Interpretação e limitações
- Curva ascendente com boa evocação tardia sugere aprendizagem e memória visual preservadas.
- Bom aprendizado (T5) com queda acentuada na tardia aponta para consolidação fragilizada.
- Forte interferência (proativa/retroativa) sugere vulnerabilidade da memória à competição entre listas.
- Idade, escolaridade e correção visual influenciam e devem ser considerados.
5. Fundamentação Teórica (Referências ABNT)
MALLOY-DINIZ, L. F. et al. Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey (RAVLT): manual. São Paulo: Vetor, 2018.
PAULA, J. J.; MALLOY-DINIZ, L. F. The Rey Auditory Verbal Learning Test: normative data for the Brazilian population. Psychology & Neuroscience, v. 11, n. 1, p. 78-86, 2018.
MAGALHÃES, S. S.; HAMDAN, A. C. The Rey Auditory Verbal Learning Test: normative data for a Brazilian sample. Psychology & Neuroscience, v. 3, n. 1, p. 85-91, 2010.
SQUIRE, L. R. Memory systems of the brain: a brief history and current perspective. Neurobiology of Learning and Memory, v. 82, n. 3, p. 171-177, 2004.
LEZAK, M. D. et al. Neuropsychological assessment. 5. ed. New York: Oxford University Press, 2012.